Trippy: descubra onde sua rede está tropeçando sem enlouquecer no terminal
31 Julho 2026
Trippy: descubra onde sua rede está tropeçando sem enlouquecer no terminal
A internet ficou lenta. A chamada começou a robotizar. O jogo acusa latência alta. O sistema da empresa demora para responder. Você reinicia o roteador — o equivalente tecnológico de dar duas batidinhas no aparelho — e, por alguns minutos, tudo parece resolvido.
Mas onde estava o problema?
Pode ser o Wi-Fi. Pode ser o roteador. Pode ser a operadora. Pode ser uma rota congestionada entre provedores. Pode ser o servidor de destino. Pode ser o IPv6. Pode ser o DNS. Ou pode ser simplesmente a rede lembrando que também tem sentimentos.
O Trippy foi criado justamente para transformar esse mistério em algo visível. Ele reúne funções semelhantes às de ping e traceroute em uma interface interativa no terminal, mostrando o caminho percorrido pelos pacotes e as estatísticas de cada etapa da viagem. O programa suporta ICMP, UDP e TCP, funciona com IPv4 e IPv6 e está disponível para Linux, macOS, Windows e sistemas BSD.
Neste guia, veremos como instalar, executar e interpretar o Trippy para investigar problemas de rede de maneira simples, sem exigir um diploma em engenharia de telecomunicações nem um quadro branco coberto de setas.
O que é o Trippy?
O Trippy é uma ferramenta de diagnóstico de rede em modo texto. Seu executável se chama trip, embora o projeto seja chamado de Trippy.
Ele envia pequenas sondas ao destino e observa por quais equipamentos elas passam. Cada roteador encontrado no caminho aparece como um hop, ou salto. Ao mesmo tempo, a ferramenta mede latência, perda de pacotes, variação de tempo de resposta e outras informações úteis.
A interface principal é uma TUI, sigla para Terminal User Interface. Em vez de imprimir uma sequência estática de linhas, como acontece com o traceroute tradicional, o Trippy mantém uma tela dinâmica, atualizada continuamente e navegável pelo teclado. Ele também oferece gráficos, detalhes por salto, visualização de diferentes fluxos, consulta de ASN, detecção de NAT e geração de relatórios em JSON, CSV, Markdown e outros formatos.
Em termos simples:
- O
pingresponde se o destino está acessível e quanto tempo leva para responder. - O
traceroutemostra o caminho até esse destino. - O Trippy combina essas duas ideias, adiciona estatísticas e coloca tudo em uma interface muito mais agradável.
É como trocar uma fotografia da rede por um pequeno documentário em tempo real.
Antes de começar: quatro conceitos que você precisa conhecer
Não é necessário dominar redes para usar o Trippy. Ainda assim, alguns termos aparecem constantemente na tela.
Hop ou salto
Cada roteador atravessado entre seu computador e o destino representa um salto.
Uma conexão até um site pode seguir algo parecido com:
Seu computador
↓
Roteador da sua casa
↓
Rede da operadora
↓
Rede de transporte
↓
Provedor do destino
↓
Servidor
Cada linha intermediária pode aparecer como um hop diferente.
RTT ou latência
RTT significa Round-Trip Time: o tempo necessário para o pacote ir até um ponto da rede e a resposta voltar.
O valor normalmente aparece em milissegundos:
5 ms
18 ms
42 ms
120 ms
Quanto menor, melhor — embora o valor esperado dependa da distância física, da rota e do tipo de conexão.
Perda de pacotes
A perda indica quantas sondas enviadas não receberam resposta.
Uma pequena porcentagem em um roteador intermediário não prova, sozinha, que aquele equipamento está com defeito. Muitos roteadores limitam ou ignoram respostas ICMP para preservar recursos, enquanto continuam encaminhando o tráfego normalmente. O problema se torna mais significativo quando a perda começa em um hop e permanece nos seguintes, especialmente no destino final.
Jitter
Jitter é a variação da latência ao longo do tempo.
Uma conexão que responde sempre entre 20 e 25 ms tende a ser previsível. Outra que alterna entre 20, 80, 150 e 30 ms pode causar cortes em chamadas, voz metálica, travamentos em jogos e streaming instável, mesmo que a média pareça aceitável.
Como instalar o Trippy
O Trippy pode ser instalado por gerenciadores de pacotes, Cargo, Snap, pacotes pré-compilados ou Docker. A documentação oficial mantém métodos para diversas plataformas.
Debian 13 ou superior
O pacote está disponível diretamente nos repositórios do Debian a partir do Debian 13, codinome Trixie:
sudo apt update
sudo apt install trippy
A disponibilidade direta pelo APT está documentada apenas para Debian 13 e versões posteriores.
Ubuntu 22.04 e 24.04
Para essas versões, a documentação recomenda o PPA do projeto:
sudo add-apt-repository ppa:fujiapple/trippy
sudo apt update
sudo apt install trippy
O PPA é indicado oficialmente para Ubuntu 22.04 Jammy e Ubuntu 24.04 Noble. Em outras versões, prefira Snap, Cargo ou um binário pré-compilado.
Caso o comando add-apt-repository não exista:
sudo apt install software-properties-common
Depois, repita os comandos de instalação.
Linux pelo Snap
Em distribuições que utilizam Snap:
sudo snap install trippy
Esse método evita depender da versão disponível no repositório nativo da distribuição.
Arch Linux, Manjaro e EndeavourOS
No Arch e em distribuições derivadas:
sudo pacman -S trippy
O pacote está disponível no ecossistema oficial do Arch Linux.
Instalação pelo Cargo
Como o Trippy é desenvolvido em Rust, também pode ser instalado pelo Cargo:
cargo install trippy --locked
A opção --locked instrui o Cargo a respeitar as versões de dependências definidas pelo projeto, reduzindo surpresas durante a compilação.
Depois da instalação, confirme se o diretório de binários do Cargo está no PATH:
export PATH="$HOME/.cargo/bin:$PATH"
Para tornar isso permanente no Bash:
echo 'export PATH="$HOME/.cargo/bin:$PATH"' >> ~/.bashrc
source ~/.bashrc
Fedora, RHEL, Rocky Linux e AlmaLinux
A página oficial de downloads oferece pacote RPM pré-compilado para sistemas Linux x86_64. Depois de baixar o arquivo correspondente à versão desejada, instale-o com:
sudo dnf install ./trippy-*.rpm
Usar dnf no lugar de rpm -i permite que o sistema trate eventuais dependências de maneira mais amigável. Os nomes exatos dos arquivos mudam conforme a versão, por isso o curinga deve ser usado apenas dentro da pasta onde está o pacote correto.
macOS
Com Homebrew:
brew install trippy
Windows
Com WinGet:
winget install trippy
O Trippy também pode ser instalado no Windows por Scoop ou Chocolatey. No Windows, ele deve ser executado com privilégios de administrador.
Privilégios no Linux: por que o Trippy pede sudo?
O Trippy normalmente utiliza raw sockets, necessários para criar e manipular determinados pacotes de diagnóstico. Por isso, no Linux, a maneira mais simples de executá-lo é:
sudo trip example.com
A documentação também apresenta uma alternativa mais restrita: atribuir ao executável apenas a capacidade de criar esses sockets.
sudo setcap CAP_NET_RAW+p "$(which trip)"
Depois disso, tente executar sem sudo:
trip example.com
O Trippy reconhece essa capacidade, utiliza-a para abrir os sockets necessários e descarta as capacidades posteriormente. Em termos de segurança, essa abordagem tende a ser mais específica do que executar toda a aplicação como root.
O modo sem privilégios, ativado por --unprivileged, existe apenas em plataformas compatíveis. A documentação atual informa que esse modo é suportado no macOS, mas ainda não no Linux.
Seu primeiro diagnóstico com o Trippy
Para analisar uma conexão até um domínio:
sudo trip example.com
Você também pode usar um endereço IP:
sudo trip 1.1.1.1
Por padrão, o Trippy utiliza ICMP, tenta IPv4 antes de IPv6 e abre sua interface interativa.
Para abrir a interface em português:
sudo trip example.com --tui-locale pt
O idioma português está entre os locais suportados oficialmente pela TUI.
Deixe o programa coletar dados por algum tempo. Uma única resposta ruim pode ser acaso; várias rodadas ajudam a mostrar um padrão.
Para sair:
q
Como ler a tela do Trippy
A tabela principal apresenta um hop por linha. As colunas padrão incluem informações de endereço, perda e latência.
#
Representa o TTL e, na prática, a posição do salto no caminho.
1
2
3
4
O hop 1 costuma ser seu roteador local. Os seguintes pertencem à operadora, redes de trânsito e infraestrutura do destino.
Host
Mostra o endereço IP, o nome reverso ou ambos, dependendo da configuração.
Use estas teclas para alternar:
i somente IP
n somente hostname
b IP e hostname
Loss%
É a porcentagem de sondas sem resposta.
Aqui mora uma das armadilhas mais famosas do diagnóstico de rede: perda em um hop intermediário não significa necessariamente perda de tráfego real.
Imagine esta situação:
Hop 2: 40% de perda
Hop 3: 0% de perda
Hop 4: 0% de perda
Destino: 0% de perda
Se os saltos seguintes responderam normalmente, o hop 2 provavelmente apenas limitou suas respostas de diagnóstico. Ele continuou encaminhando os pacotes, só não quis conversar muito. É o roteador equivalente à pessoa que visualiza a mensagem e não responde.
O próprio Trippy diferencia perda em hops intermediários de perda no destino por meio da coluna de status. Azul ou marrom em saltos intermediários não indica necessariamente defeito; amarelo ou vermelho no destino final é muito mais relevante.
Snd e Recv
Mostram quantas sondas foram enviadas e quantas respostas foram recebidas.
Snd: 100
Recv: 100
Nesse exemplo, não houve perda.
Last
Latência da última resposta.
Ela é útil para acompanhar o momento atual, mas pode oscilar bastante.
Avg
Média da latência acumulada.
É um indicador melhor para observar o comportamento geral, mas uma média bonita pode esconder picos horríveis — assim como a temperatura média anual não ajuda muito durante uma onda de calor.
Best e Wrst
Mostram o melhor e o pior tempo de resposta.
Uma diferença muito grande entre os dois pode sugerir instabilidade.
StDev
É o desvio padrão das respostas. Quanto maior, menos previsível é a latência.
Jttr e colunas de jitter
Mostram a diferença entre respostas consecutivas e outras medidas de variação. São especialmente úteis para investigar chamadas de voz, videoconferências, jogos e aplicações em tempo real.
Atalhos essenciais da interface
O Trippy é quase todo controlado pelo teclado.
| Tecla | Função |
|---|---|
h ou ? |
Abrir a ajuda |
↑ e ↓ |
Navegar entre os hops |
← e → |
Alternar entre alvos |
d |
Abrir detalhes do hop |
c |
Mostrar ou ocultar o gráfico |
f |
Mostrar os diferentes fluxos |
z |
Alternar informações de ASN |
s |
Abrir as configurações |
Ctrl+F |
Congelar ou retomar a tela |
Ctrl+R |
Limpar as estatísticas e recomeçar |
Ctrl+K |
Limpar o cache DNS |
q |
Sair |
Shift+Q |
Sair preservando a tela |
As teclas podem ser personalizadas por argumento ou arquivo de configuração.
Um método simples para investigar problemas de rede
Abrir a ferramenta e admirar as colunas piscando é divertido, mas precisamos de um método. O fluxo abaixo ajuda a separar problemas locais, falhas da operadora e dificuldades no destino.
Etapa 1: teste seu roteador
Descubra o gateway padrão:
ip route | grep default
A saída será parecida com:
default via 192.168.1.1 dev wlan0
Use esse endereço no Trippy:
sudo trip 192.168.1.1
Se já houver latência alta, jitter ou perda entre seu computador e o roteador, o problema provavelmente está na rede local: Wi-Fi fraco, interferência, cabo ruim, placa de rede, saturação do roteador ou distância excessiva.
Em uma rede doméstica saudável, o primeiro hop normalmente deve ser estável. Uma conexão Wi-Fi pode variar mais do que uma conexão Ethernet, mas não deveria transformar cada pacote em uma aventura.
Etapa 2: teste um IP externo
Depois, teste um endereço externo confiável:
sudo trip 1.1.1.1
Isso ajuda a analisar a conectividade sem depender da resolução do nome do destino.
Se o roteador local estiver estável, mas a latência ou perda começar nos primeiros hops da operadora e continuar até o destino, há indícios de problema depois da sua rede doméstica.
“Indícios” é a palavra importante. Um traceroute mostra o caminho de ida observado pelas sondas, enquanto as respostas podem retornar por outra rota. A própria documentação recomenda cautela e, quando possível, medições nos dois sentidos para obter uma visão mais completa.
Etapa 3: teste um domínio
Agora compare com um nome:
sudo trip example.com
Se o IP funciona, mas o domínio demora para iniciar ou não resolve, o problema pode estar relacionado ao DNS.
O Trippy permite escolher o resolvedor:
sudo trip example.com -r system
sudo trip example.com -r cloudflare
sudo trip example.com -r google
Os modos disponíveis incluem o resolvedor do sistema, a configuração de /etc/resolv.conf, Cloudflare e Google.
Etapa 4: teste a porta usada pelo serviço
O ICMP é ótimo para uma análise geral, mas pode ser bloqueado ou limitado. Se o problema acontece ao acessar um site HTTPS, experimente um trace TCP até a porta 443:
sudo trip example.com --tcp --target-port 443
Forma abreviada:
sudo trip example.com -p tcp -P 443
Esse teste usa tráfego mais parecido com o que seria empregado para acessar um serviço web. O Trippy permite selecionar ICMP, UDP ou TCP e definir a porta de destino para UDP e TCP.
Etapa 5: compare IPv4 e IPv6
Uma aplicação pode funcionar bem em IPv4 e mal em IPv6 — ou o contrário.
Teste somente IPv4:
sudo trip example.com -4
Teste somente IPv6:
sudo trip example.com -6
Se os resultados forem muito diferentes, pode haver uma rota IPv6 problemática, configuração incorreta no provedor ou dificuldade específica no destino. O Trippy também aceita estratégias de fallback entre as duas famílias de endereços.
Etapa 6: compare múltiplos destinos
Você pode acompanhar vários alvos na mesma instância:
sudo trip 1.1.1.1 8.8.8.8 example.com
A análise simultânea de múltiplos destinos está disponível no modo ICMP. Use as setas esquerda e direita para alternar entre eles.
Isso ajuda a responder uma pergunta importante:
Está tudo ruim ou apenas aquele serviço específico?
Se vários destinos apresentam o mesmo problema, a causa pode estar mais perto de você. Se somente um destino sofre, a dificuldade pode estar na rota ou na infraestrutura daquele serviço.
Como interpretar cenários comuns
Latência alta já no primeiro hop
Exemplo:
Roteador local: 80 ms
Demais hops: 90–150 ms
Provável área de investigação:
- sinal Wi-Fi fraco;
- interferência;
- roteador sobrecarregado;
- conexão por repetidor;
- cabo ou interface com problema;
- tráfego intenso na rede local.
Antes de telefonar para a operadora com a convicção de um promotor, teste o computador conectado por cabo Ethernet. Se a latência cair, o suspeito principal é o Wi-Fi.
A latência sobe em um hop e continua alta
Exemplo:
Hop 1: 2 ms
Hop 2: 8 ms
Hop 3: 15 ms
Hop 4: 110 ms
Hop 5: 115 ms
Destino: 118 ms
O aumento persistente pode indicar uma longa distância geográfica, congestionamento ou mudança de rota a partir daquele ponto.
Não significa automaticamente que o hop 4 está quebrado. Ele pode apenas representar a entrada em uma rota internacional ou em uma rede distante.
Um hop mostra muita perda, mas os seguintes estão normais
Exemplo:
Hop 4: 70% de perda
Hop 5: 0%
Hop 6: 0%
Destino: 0%
Provavelmente não existe perda real de encaminhamento naquele ponto. O roteador intermediário pode estar limitando respostas ICMP, enquanto continua transportando o tráfego normalmente. A documentação do Trippy alerta explicitamente que perda ou ausência de resposta em hops não finais não representa necessariamente um problema.
A perda começa em um ponto e continua até o destino
Exemplo:
Hop 4: 0%
Hop 5: 12%
Hop 6: 13%
Destino: 12%
Esse padrão é mais relevante. Pode existir congestionamento, falha física, saturação ou descarte de tráfego a partir daquela região da rota.
Ainda assim, não use um único teste como sentença judicial. Repita em horários diferentes, compare protocolos e, quando possível, faça a medição pelo outro lado da conexão.
O destino tem perda, mas os hops anteriores não
Quando o destino final apresenta perda consistente, a causa pode estar no próprio servidor, em seu firewall, em sua rede de acesso ou no trecho final da rota.
Também pode haver limitação de ICMP. Por isso, compare com TCP na porta real do serviço:
sudo trip destino.example --tcp -P 443
A média está boa, mas o pior valor é enorme
Exemplo:
Avg: 22 ms
Best: 18 ms
Wrst: 430 ms
A média parece tranquila, mas há picos graves. Observe também o desvio padrão e o jitter.
Esse comportamento pode afetar aplicações interativas mesmo quando um teste de velocidade mostra muitos megabits e uma aparência geral de felicidade.
ICMP, UDP ou TCP: qual escolher?
ICMP: comece por aqui
O ICMP é o padrão do Trippy e costuma produzir um caminho consistente, fácil de ler. É a melhor escolha para uma investigação inicial.
sudo trip example.com
A limitação é que alguns equipamentos reduzem a prioridade ou limitam respostas ICMP. Por isso, a perda exibida em saltos intermediários deve ser interpretada com cuidado.
TCP: investigue o serviço real
Use TCP quando estiver analisando problemas relacionados a sites, APIs, SSH ou outros serviços baseados nesse protocolo.
HTTPS:
sudo trip example.com --tcp -P 443
SSH:
sudo trip servidor.example --tcp -P 22
O TCP pode mostrar um caminho mais próximo daquele percorrido pela aplicação, especialmente quando o ICMP recebe tratamento diferente na rede.
UDP: enxergue melhor rotas com múltiplos caminhos
Redes modernas podem usar ECMP, distribuindo fluxos equivalentes por caminhos diferentes. O Trippy oferece estratégias classic, paris e dublin para analisar esse comportamento.
Um exemplo recomendado com Dublin:
sudo trip example.com \
--udp \
--multipath-strategy dublin \
--source-port 5000 \
--target-port 33434
A estratégia Dublin permite manter portas fixas e controlar melhor o fluxo observado. A estratégia Paris oferece benefícios semelhantes, mas pode falhar atrás de NAT porque esse tipo de equipamento frequentemente modifica o checksum UDP. Nesses ambientes, a documentação recomenda Dublin.
Essa seção já entra no território “gosto de redes e tenho opiniões sobre checksums”. Para diagnósticos domésticos, ICMP e TCP normalmente bastam.
Visualizando ASN e diferentes rotas
ASN significa Autonomous System Number. Ele identifica grandes redes administradas por operadoras, empresas de telecomunicações, provedores de nuvem e outras organizações.
Para consultar essas informações durante a análise:
sudo trip example.com -r cloudflare -z
Na interface, pressione:
z
Isso ajuda a perceber quando o tráfego sai da rede da sua operadora, entra em uma rede de trânsito e chega ao provedor responsável pelo destino. O Trippy suporta consultas de ASN associadas à resolução DNS.
Para mostrar fluxos alternativos:
f
Essa visualização é útil quando vários endereços aparecem no mesmo hop ou quando a rede utiliza balanceamento por múltiplos caminhos.
Gerando relatórios para suporte técnico
Uma das melhores vantagens do Trippy é transformar a análise em algo que pode ser salvo e enviado.
Relatório legível no terminal
sudo trip example.com -m pretty -C 20
-m prettyseleciona uma tabela de texto.-C 20executa vinte ciclos antes de gerar o resultado.
Relatório Markdown
sudo trip example.com -m markdown -C 20 > relatorio.md
Útil para documentação, GitHub, chamados e bases de conhecimento.
Relatório CSV
sudo trip example.com -m csv -C 50 > relatorio.csv
Bom para planilhas e análises posteriores.
Relatório JSON
sudo trip example.com -m json -C 50 > relatorio.json
Adequado para scripts, APIs e ferramentas de observabilidade.
O Trippy oferece os modos TUI, stream, pretty, Markdown, CSV, JSON, Graphviz DOT, flows, silent e outros formatos de saída.
Ao enviar um relatório para a operadora ou equipe técnica, informe também:
- data e horário;
- se o teste foi feito por Wi-Fi ou cabo;
- endereço de origem aproximado;
- destino testado;
- protocolo utilizado;
- se o problema ocorreu durante o teste.
Um relatório sem contexto pode ser tecnicamente perfeito e humanamente inútil.
Personalizando o Trippy
Para gerar um modelo de configuração:
mkdir -p ~/.config/trippy
trip --print-config-template > ~/.config/trippy/trippy.toml
O Trippy procura arquivos chamados trippy.toml ou .trippy.toml no diretório atual, na pasta pessoal, nos diretórios XDG de configuração e, no Windows, no diretório de dados da aplicação. Argumentos fornecidos na linha de comando têm prioridade sobre o arquivo.
Um exemplo simplificado:
[tui]
tui-locale = "pt"
address-mode = "both"
preserve-screen = true
[strategy]
protocol = "icmp"
A estrutura e os nomes disponíveis podem mudar conforme a versão. Por isso, use sempre o modelo gerado pelo próprio executável instalado.
Também é possível personalizar cores, colunas e atalhos. A interface permite abrir configurações com s, enquanto as teclas de 1 a 7 acessam seções específicas da TUI, rastreamento, DNS, GeoIP, atalhos, tema e colunas.
Erros comuns ao usar o Trippy
Culpar o primeiro hop com perda
Um roteador intermediário pode não responder às sondas e ainda encaminhar todo o tráfego corretamente. Observe se a perda continua nos hops seguintes e no destino.
Fazer um teste de cinco segundos
Redes variam ao longo do tempo. Deixe o Trippy acumular amostras, especialmente quando o problema é intermitente.
Testar somente um destino
Um único site pode estar com problema. Compare um IP externo, um domínio conhecido e o serviço que realmente apresenta falha.
Testar apenas por Wi-Fi
O Wi-Fi adiciona interferência, distância e obstáculos ao diagnóstico. Sempre que possível, repita o teste usando cabo.
Usar somente ICMP
Se o serviço real utiliza TCP 443, faça também um trace TCP para essa porta.
Tratar o traceroute como prova absoluta
O caminho de ida e o caminho de volta podem ser diferentes. Balanceamento, NAT, filtros e políticas de roteamento também influenciam o resultado. O Trippy oferece uma visão poderosa, não uma bola de cristal com certificação ISO.
Receitas rápidas
Teste geral
sudo trip example.com
Interface em português
sudo trip example.com --tui-locale pt
Somente IPv4
sudo trip example.com -4
Somente IPv6
sudo trip example.com -6
HTTPS pela porta 443
sudo trip example.com --tcp -P 443
Usar DNS da Cloudflare e mostrar ASN
sudo trip example.com -r cloudflare -z
Comparar vários destinos
sudo trip 1.1.1.1 8.8.8.8 example.com
Criar relatório Markdown
sudo trip example.com -m markdown -C 30 > trippy-relatorio.md
Exibir IP e nome simultaneamente
sudo trip example.com --tui-address-mode both
Essas opções fazem parte da interface de linha de comando e dos exemplos oficiais do projeto.
Conclusão: sua conexão não está apenas “lenta”
Dizer que “a internet está ruim” é fácil. Descobrir onde, quando e de que maneira ela está ruim é muito mais útil.
O Trippy transforma uma cadeia invisível de roteadores, operadoras e caminhos alternativos em uma interface compreensível. Ele permite observar latência, perda, jitter, rotas, protocolos e destinos diferentes sem exigir uma coleção de comandos desconectados.
Para uma análise simples, o roteiro é direto:
Comece pelo roteador local. Depois teste um IP externo. Compare com um domínio. Experimente TCP na porta real do serviço. Verifique IPv4 e IPv6. Observe se o problema persiste até o destino. Por fim, gere um relatório e guarde evidências melhores do que “aqui ficou lento ontem”.
O Trippy não conserta cabos, não reposiciona o Wi-Fi e não telefona para a operadora por você. Mas oferece algo valioso: clareza.
E, em diagnóstico de redes, clareza costuma ser a diferença entre resolver um problema e reiniciar o roteador pela décima vez.


